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MEDTRENDS 4 - O PAPEL DAS CONEXÕES SOCIAIS NA ATIVIDADE FÍSICA (ANÁLISE DE ESTUDO)

estudos científicos longevidade medicina do estilo de vida medicina-baseada-em-evidências medicina-do-exercicio-e-do-esporte Dec 12, 2024

A inatividade física em idosos está associada a uma série de problemas de saúde, incluindo funcionalidade reduzida, aumento do risco de quedas e dificuldades no manejo de doenças crônicas. Recomenda-se, portanto, a prática regular de atividades aeróbicas, de fortalecimento muscular e de equilíbrio. No entanto, a adesão a essas atividades é baixa: menos de 16% dos idosos seguem as diretrizes mínimas. Uma possível razão é a falta de clareza sobre quais estratégias de mudança de comportamento (Behavior Change Strategies, BCSs) promovem aumentos sustentados na atividade física (AF) nesta população. 

Devido a isso, escolhemos analisar este estudo publicado em 2024 no JAMA Network no MEDTRENDS desta semana.

Espero que gostem!

O estudo buscou determinar os efeitos principais e combinados de dois conjuntos de estratégias de mudança de comportamento – intrapessoais e interpessoais – quando integrados a um programa de exercícios baseado no Otago Exercise Program (com exercícios de força, equilíbrio e caminhada) e ao uso de um monitor de atividade física vestível (PA monitor). O objetivo era verificar se essas estratégias, isoladas ou em conjunto, promovem aumentos sustentados na quantidade de AF em idosos insuficientemente ativos.

Todos os grupos receberam o programa Otago (17 exercícios de força e equilíbrio, mais uma rotina de caminhada, recomendados 3x/semana), um monitor de AF vestível e 8 encontros semanais em grupo (90 minutos cada).

  • BCSs Intrapessoais: Definição de metas SMART, planejamento de ações, resolução de barreiras pessoais, auto avaliação do progresso e criação de rotinas pessoais.
  • BCSs Interpessoais: Compartilhamento entre pares sobre barreiras ambientais, motivação, sugestões para suporte social, encorajamento mútuo e “modelagem social”.
  • Grupo controle ativo: recebia informações gerais sobre saúde e envelhecimento, sem componentes de BCS.

Amostra e Aderência: Dos 309 participantes, 305 completaram a intervenção e 302 tiveram dados completos nas avaliações pós-intervenção.

Efeito das BCSs Interpessoais: Participantes que receberam estratégias interpessoais (com componente de interação entre pares) apresentaram aumento significativo na AF total em comparação aos que não receberam:

  • 1 semana pós-intervenção: +27,1 min/dia (diferença ajustada)
  • 6 meses pós-intervenção: +20,8 min/dia
  • 12 meses pós-intervenção: +27,5 min/dia
    Da mesma forma, houve aumento no número de passos/dia (até ~926 passos adicionais em 12 meses) e no tempo de AF moderada a vigorosa.

Efeito das BCSs Intrapessoais: Não houve efeitos significativos do conjunto intrapessoal isoladamente no aumento da AF total ou MVPA em nenhum ponto de avaliação (1 semana, 6 meses ou 12 meses).

Interação entre BCSs Intrapessoais e Interpessoais: Não houve interação significativa. Ou seja, adicionar estratégias intrapessoais não potencializou os ganhos obtidos pelas estratégias interpessoais.

Dados Autorrelatados: Não foram observadas diferenças significativas com base em dados de AF autorrelatada, sugerindo que medidas objetivas são mais sensíveis a mudanças dessa natureza.

O estudo forneceu evidência robusta de que incorporar estratégias interpessoais (ex.: aprendizado e apoio entre pares) a um programa de exercícios e ao uso de um monitor de AF aumenta e sustenta a atividade física de idosos até 12 meses após o término da intervenção. O envolvimento social e a troca de experiências parecem ser elementos-chave para motivar mudanças duradouras no comportamento, sugerindo que a dimensão social do incentivo à AF é crucial.

Em contrapartida, as estratégias intrapessoais, embora frequentemente usadas, não demonstraram impacto significativo isoladamente neste estudo. Esse achado contraria, em parte, revisões que apontam tais estratégias como eficazes, mas essas revisões normalmente examinam pacotes de intervenções onde as BCSs se sobrepõem, dificultando separar o efeito específico de cada tipo de estratégia.

Os resultados reforçam a importância de intervenções em grupo e componentes interpessoais para promover a adesão de idosos à AF. Estudos futuros podem investigar se esses achados se replicam em outros contextos, populações mais diversas e ao integrar tais componentes em programas já existentes de atividade física para idosos.

Conclusões

A adição de BCSs interpessoais a um programa de exercícios baseado no Otago, aliado a um monitor vestível, gerou aumentos significativos e sustentados na AF de idosos insuficientemente ativos por até um ano após o fim da intervenção. As estratégias intrapessoais, ao menos nas condições testadas, não aumentaram a AF. A descoberta enfatiza a relevância do componente social (aprendizagem e apoio entre pares) na promoção da AF a longo prazo em idosos.

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